Fiche Structure
Centro Afro Carioca de Cinema
Adresse : Rua Joaquim Silva, 40 – Lapa – Rio de Janeiro – RJ
Pays concerné : Brésil
Téléphone(s) : +55 021 2508-7381

English

Zozimo Bulbul creates in 2007 at 70 years old the « Centro Afro Carioca de Cinema » which promotes the Brazilian cinema but also the African one and Diaspora. The fourth meeting of Centro Carioca de Cinema in 2010 paid tribute to 50 years of independence of African countries.
Zozimo Bulbul is one of the Black icons of the 60′ and 70′ in Brazil. He participated in many international meetings and roundtables on cinema.


QUEM SOMOS

O Centro Afro Carioca de Cinema vem desenvolvendo há três anos um trabalho de referência para a Cinematografia Afro Brasileira. Um trabalho de conscientização, incentivo aos novos caminhos através do cinema e aumento da compreensão do mundo através da arte cinematográfica, contribuindo assim para a elevação da auto-estima.

Por dentro da história – O Início, por Zózimo Bulbul

Em resumo tudo começou quando o meu filme « Abolição » foi selecionado para um festival de cinema de diretores da diáspora Africana em Nova York no ano de 1995. Naquela ocasião eu tomei um susto por que a metade da platéia desse festival era de africanos. Nessa época eu não sabia muito bem o que era Burkina Faso nem tinha muito conhecimento sobre a África, e estes africanos que estavam no festival não sabiam que existiam no Brasil negros fazendo cinema, foi uma ótima oportunidade para trocar informações. Nos últimos dias do evento me fizeram o convite, para ir em 1997 participar do FESPACO – Festival Pan Africano de Cinema de Ouagadougou, em Burkina Faso. Eu me senti muito honrado, pois esse festival é o mais importante da África e um dos mais importantes do mundo. O Abolição tinha ganhado o festival de Brasília em 1988, também ganhou um prêmio em Cuba, e nesse festival em Cuba me chamaram para ir em Nova York.

Ganhei mais um prêmio em Nova York, mas aqui no Brasil nunca saiu uma nota de jornal sobre o filme e sobre os prêmios que eu ganhei. Voltei muito triste com essa coisa do filme ter ganhado vários prêmios em festivais e aqui no Brasil não ter acontecido nada, nem comigo e nem com o filme. Eu tinha pretensão de ser conhecido de mostrar o filme, eu queria botar a cara na rua, discutir não só a cinematografia negra brasileira, mas também a temática do filme, e ficou uma coisa muito do tipo « cala boca negão – isso não existe! – você está inventando essas coisas! » Isso começou a me dar uma frustração muito grande.

Quando cheguei a Burkina Faso em 1997 foi uma surpresa muito grande, eu fui muito bem recebido, desde o aeroporto, até o hotel e durante o festival, fui respeitado, como preto brasileiro, cineasta, convidado do festival.

Quando vi o povo na cerimônia de abertura, mais de vinte mil pessoas em um campo de atletismo eu me emocionei muito. A diferença do FESPACO para os outros festivais de cinema pelo mundo é que no FESPACO o povo participa, o povo de Burkina Faso e de países próximos participa, e nestes outros festivais como « Cannes » e até mesmo o « Festival do Rio » são festivais feitos para a elite, e não para o povo.

Voltei para o Brasil com a certeza de que era necessário fazer algo sobre o cinema negro, só não sabia o que era ainda. Dez anos depois, em 2007, fui convidado juntamente com outros cineastas e atores Afro-brasileiros, para o Encontro de cinema latino-americano de Toulouse, na França. Cheguei na cidade e fiquei surpreso. Uma cidade pequena, com muita gente de diversos países, e não tinha os « palácios », que a gente encontra nos grandes festivais,lá tudo é pequeno, na medida certa, salas de cinema lindíssimas com 80 lugares,por exemplo. Isso me influenciou muito. Aquela idéia de fazer algo voltado para o cinema negro ia tomando forma, então eu percebi que não precisava de um lugar imenso, para fazer uma sala de cinema, e voltei com a idéia de colocar em prática a realização de um espaço destinado a exibir os nossos filmes, filmes de cineastas pretos e pretas do Brasil e da África.

Foi aí que, em um espaço onde havia uma carpintaria, em plena Lapa, achei o lugar certo para criar o Centro Afro Carioca de Cinema. Uma das coisas mais gratificantes da minha vida, quando eu saía de casa e ia pra lá acompanhar as obras,com um imenso « tesão » eu ia todos os dias. Derrubávamos paredes, pintávamos, assim reformamos a casa toda. Biza e eu acompanhamos tudo, eu ainda não estava muito bem de saúde, não estava andando bem, mas o processo de criação do Centro Afro Carioca me deu motivação para eu me recuperar. Uma grande inspiração para a criação do Centro Afro Carioca de cinema, foi o nosso mestre Candeia e o Grêmio Recreativo Arte Negra Quilombo. O que essa escola de samba representava em nível de revolução e inovação em relação ao carnaval, e a questão do rompimento com o que estava estabelecido.

A Sala está pronta, e agora?

Depois da sala pronta, veio a pergunta, « o que vamos fazer o que aqui? » Tínhamos que movimentar o Centro, pensei em dar aulas, oficinas voltadas para o cinema, mas vi que seria difícil fazer isso sem patrocínio.Foi aí que tivemos a idéia do I Encontro de Cinema Negro Brasil África. Trouxemos cineastas Africanos, e seus filmes premiados, com o apoio do consulado da França.

A importância desse encontro se dá entre outras coisas para dar visibilidade aos cineastas negros e negras do Brasil e aos seus filmes, muita gente que eu nem sabia que existia, mas existe e está fazendo cinema, e o Encontro foi uma oportunidade de mostrar a nossa cara, de se ver os filmes e debater a respeito dos mesmos, pois pra mim é muito importante debater o cinema, não basta só assistir. Quando nós abrimos o Centro Afro Carioca de Cinema, e fiz o I Encontro de Cinema Brasil África, sabia que isso aqui era uma arma, e que vai dar frutos lá na frente. Ao invés de comprar um « 38 » ou uma metralhadora, e ir para favela eu optei por trazer a favela aqui pra dentro, pra estudar o audiovisual, o cinema, que para mim é a arma mais moderna que existe hoje.

O II Encontro de Cinema Negro e a inclusão dos Cineastas Afro Latinos, me veio à cabeça lembrando de um evento cultural, chamado Afro em foco que aconteceu em 2006, na Argentina, um país com menos de 2% de população negra e que não tem a menor tradição em cultura africana, e nesse encontro tinham negros do Peru, do Uruguai, do Paraguai, de Cuba entre outros países. Cheguei a conclusão que a gente não sabe nada a respeito dos nossos vizinhos, nossos irmãos negros que estão nos países da América Latina. Vi a necessidade de incluir no II encontro os cineastas negros Latinos, pra ver se derrubávamos essa barreira. Contamos com a presença dos Cineastas Rigoberto lopes de Cuba, do Derby Arboleda da Colômbia, e do também Cubano Antônio Molina. Nesse II Encontro de cinema os laços de cooperação foram fortalecidos, não só com os Afro-Latinos mais também com os/as cineastas Africanos que também estavam presentes, isso resultou em um convite feito pelo representante oficial do FESPACO, Guy Desire Yameogo, para que uma delegação de cineastas Negros Brasileiros participassem do FESPACO 2009. A delegação foi composta de oito cineastas negros e negras Brasileiros que exibiram suas obras no mais importante festival de cinema negro do mundo.

Planos para o futuro

A idéia do III Encontro é estreitar ainda mais os laços com o FESPACO, não quero perder esse laço com Burkina Faso, inclusive nós tivemos o compromisso da organização do festival em mandar os melhores filmes do FESPACO 2009, para que possamos incluir no nosso encontro. Vamos homenagear Burkina Faso e o FESPACO e com certeza trazer mais 2 ou 3 cineastas africanos. Para estreitar, como eu já falei antes, os laços entre Brasil e África, através do Cinema, pois eu não sei fazer outra coisa. E ainda temos a possibilidade de incluir os cineastas negros Norte-Americanos e os do Caribe. Esse é um ciclo que não se fechará que só tende à aumentar, cineastas negros brasileiros, indo para fora do País mostrar as suas obras, cineastas negros Africanos e Afro Latinos mostrando suas obras aqui, esse intercambio não pode parar.

« O Centro Afro Carioca de Cinema é uma formiguinha que está crescendo e a diferença do nosso trabalho, é que agora nós somos « agentes da gente mesmo », não tem ninguém mandando na gente e dizendo o que a gente tem que fazer você está me entendendo?

Pessoas importantes na formação do Afro Carioca:


* Ruth Pinheiro
* Raquel Carolina
* Wanda Ribeiro
* Fernando Barcellos
* Júlio Vitor
* Ierê Ferreira
* Naira Fernandes
* Tadeu Alexandre
* Carlos Renato
* Clara Sória
* Zulu Araújo
* Edson Santos
* Abdias Nascimento
* Elisa Larkin
* Mãe Maidé de Oyá
* Benedita da Silva
* Maria Ceiça
* Léa Garcia


EQUIPE
* Bulbul – Curador Presidente
* Biza Vianna – Direção e Coordenação
* Ruth Pinheiro – Consultoria Administrativa
* Raquel Carolina – Assistente de Coordenação
* Naira Fernandes – Divulgação
* Ierê Ferreira – Fotógrafo
* Fátima Frazão – Auxiliar
* Vânia Lima – Comunicação
* Duddu Rodrigues – Programador Visual
* Jéssica Almeida – Estagiaria



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